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Hoje é dia de estréia. Este é o primeiro artigo da coluna Balaio de Gata, meu espaço na revista Agora Review. O texto foi publicado da edição de fevereiro, mas vem bem a calhar nesta semana em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Nós merecemos!

As feministas que me perdoem, mas um bom sutiã é fundamental
Calma! Não estou sugerindo que você se atire às compras, esse não é o intuito. Ao menos termine este artigo. Tão pouco estou supondo que um “meia-taça” seja a solução de todos os nossos problemas – que ninguém nos ouça, mas existem coisas que só um bom silicone pode fazer. Na verdade, a questão vai além do nosso closet ou da nossa silhueta. Vai além da nossa geração e se estende pelos tempos a fora.
Desde crianças conhecemos a secular desigualdade entre os sexos. Nas salas de aula, os livros nos contavam que na Grécia antiga a mulher era totalmente excluída da vida pública se limitando exclusivamente a família. Na era medieval, a igreja (ou a política?) perseguiu milhares de mulheres em nome da religião. Em nosso próprio país, até o governo de Getúlio Vargas na década de 30, o voto feminino não era constitucional.
Já fomos mulheres de Atenas, já fomos mulheres-objeto (algumas ainda são, mas voluntariamente). Os milênios de injustiça justificam as inseguranças coletivas e a constante busca pela autonomia feminina. O movimento feminista é totalmente louvável. Já fomos queimadas em praças públicas, mas também já queimamos nossos sutiãs. O poder do voto, a pílula anticoncepcional, a entrada no mercado de trabalho, um belo par de calças jeans. Graças ao movimento feminista tivemos de fato o poder e o exercício da escolha.
Sim, ainda existe uma certa desigualdade, como em culturas islâmicas, por exemplo. Mas acredito que no geral, o lugar da mulher na sociedade esteja muito bem ocupado. Se algumas ainda se cobrem com burcas, outras já governam territórios machistas como os estados do Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Machistas mesmo?
Entretanto, na ânsia de conseguir o mais que merecido respeito ao gênero, ultrapassamos a linha que separa o bom senso feminino do radicalismo feminista. Já provamos tanto e a tantos! Porque ainda nos colocamos na posição de oponentes? Porque sermos sexos opostos se podemos ser sexos complementares?
Porque não deixar que ele a pegue em casa, abra a porta do carro e seja gentil pelo resto da noite? Porque não bancar a “mulherzinha” e ter um pouco mais de “frescura”? Se cuidar mais, admitir certas fragilidades, ser menos sóbria no trabalho? Ninguém está pedindo pra você usar mini-saia em pleno escritório ou sair por aí falando de modo afetado. Mas não temos o direito de castrar nosso lado mais forte que é justamente nosso lado mais feminino.
O que há de errado em ser mulher assumindo o pacote completo? Da criatura abominável que teima em aflorar nos dias de TPM à incrível capacidade de ser “mãe-mulher-esposa-profissional-amiga-espadachim?” Eu não quero a igualdade. Quero respeito às diferenças. Às deles e às nossas. Homens podem ser de Marte e mulheres podem ser de Vênus e ainda assim conviver em paz aqui na Terra. Porque não fazer amor ao invés de fazer a guerra? Mesmo porque, há muito tempo conquistamos o direito de comandar a brincadeira!