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À
Foliã em Mim,
(que neste momento, se aquece insistentemente na esperança de invadir a avenida)
Antes de mais nada, quero dizer que compartilho da sua dor. E você nem imagina o quanto. Só eu sei o quanto é duro ficar sem a fruta depois de já ter provado um de seus gomos. Foram anos de amor e dedicação à pratica carnavalesca. Noites inteiras de purpurina e samba no pé. O refrão ensaiado a cada marchinha, mil voltas no salão. E no final, além dos incontáveis confetes colados ao nosso sacolejante corpinho, a contente exaustão de ter varado a madrugada em euforia e festa.
Fantasia preferida? Nenhuma em especial. Ou talvez, a que ainda vá vestir quando finalmente carregar você pra avenida. Quase sempre tenho a sensação de termos nascido em estado errado. Alguma cegonha distraída, confundiu a Ladeira do Pelourinho com as ladeiras de São Paulo. É isso, um extravio natal justifica tanta euforia quando fevereiro chega. Mas talvez Deus tenha feito o certo - como sempre faz. Tivéssemos sido entregues no estado certo, morreríamos disso! Já pensou? Não ia sobrar pra mais ninguém.
A questão é que: este ano, mais uma vez, vamos ter que fingir que a coisa não é com a gente. Eu sei. Isso também me tira do sério. Ossos do ofício, dadas as circunstâncias geográficas em que nos encontramos. Sim, conforme as vezes você me pede, sobra a alternativa de empurrar o sofá e aumentar o volume da TV. Mas falta a serpentina. Entende?
Entretanto, podem nos tirar tudo. Até mesmo a "danada da cachaça" (opa! isso é marchinha!), mas mesmo que o tempo passe, a vida mude, os anos cheguem, o planeta super aqueça. "Você deixa Paris, mas Paris não deixa você". Com o carnaval é a mesma coisa. Mesmo fora da avenida, nosso coração mangueirense sempre vai bater no ritmo das baterias mais afinadas.
Ass: Foliã pra Sempre
Sempre que recebo a revista Cláudia, a primeira coisa que leio é a coluna de cartas de Fernanda Young. De ex-amores à lata de leite em pó. Os destinatários variam de acordo com a criatividade fértil da autora. Neste post, venho até aqui com o mesmo objetivo.
À
Mulherzinha bem resolvida,
E aí, mulher? Como anda essa sua vidinha mais ou menos? Acredito que mais pra menos do que pra mais. Caso contrário, você estaria se preocupando mais com a sua e menos com a minha, não é mesmo?
Desculpe a indiscrição, mas preciso satisfazer uma curiosidade antiga: você acredita mesmo nesse discurso de ser "bem resolvida" (esquisitíssimo esse papo), ou é só mais uma mentirinha que você insiste em repetir por aí na esperança de um dia convencer a sí mesma?
Juro que não sei qual é a sua! Uma mulher interessante como você, se prestar a papéis que não condizem nenhum pouco com seu alto nível... feio hein? Vai pegar mal lá na sua paróquia. Ninguém te ensinou que inveja é pecado? Já pensou que triste? Não vai arrumar mais casamento. Aliás, já arrumou o seu?
Desculpe. Precisei enxugar o veneno agora. Não posso falar assim com alguém que acompanha minha vida feito novela. Tanta devoção, só pode ser amor. Fico imaginando seus dias sem graça, invadidos de euforia com as notícias da minha vida. Soube da última? Calma... não precisa se afobar. Já despachei um pombo correio direto até você.
Em retribuição a tanta atencão da sua parte, aqui vão uns toques de amiga:
Primeiro: deixe de ser enrustida - não combina com o seu tamanho.
Segundo: mude o disco - existem outras pessoas interessantíssimas no mundo além de mim.
Terceiro: juro que não te quero mal. Só te quero bem - LONGE!
Bem, agora você me dá licença porque já gastei tempo demais bancando a colegial aqui com você. Desejo sinceramente que Deus ilumine sua vida, porque seu cabelo... ninguém tá conseguindo.
Mulher de Atitude