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"É a véspera do grande dia. Todo o espaço disponível no chão está ocupado por um grupo de mulheres, comendo, dançando ou conversando. É a noite da hena. Esta noite o noivo e a noiva vão ter as palmas das mãos e as solas dos pés pintados com hena. O desenho alaranjado das mãos assegurará um casamento feliz.
Mas o noivo e a noiva não estão juntos. Os homens têm a sua festa; as mulheres, a delas. Sozinhas elas se soltam com uma energia frenética, quase assustadora. Batem na bunda umas das outras, beliscam os peitos e dançam umas para as outras, mexendo os braços como serpentes e os quadris como dançarinas do ventre. As meninas se movem como sedutoras natas e se requebram com olhares desafiantes e sobrancelhas erguidas. Até as idosas têm a sua vez, mas em geral param no meio, antes de a música acabar. Só querem mostrar que ainda sabem dançar.
Shakila está sentada no único móvel do quarto, um sofá trazido especialmente para o evento. Ela acompanha tudo à distância; não pode dançar nem sorrir. Demonstrações de felicidade iriam magoar a mãe que ela está deixando - e tristeza provocaria a futura sogra."
(O Livreiro de Cabul - Asne Seierstad)
Ps: esse é apenas um trecho do livro. Os comentários vêm em alguns dias. Mas já digo de antemão que trata-se de uma realidade inconcebível, se é que isto seja possível.

Para encerrar o dia, o melhor tradutor da alma feminina
"Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega, mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina, salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta, morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, ferro e fogo
Em carne viva
Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sente"
(Tatuagem - Chico Buarque)

Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é so easy se viver
Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de imcompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
Quase nunca a vida é um balão
Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
Encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
Tudo bem
Já não tenho dedos pra contar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de imcompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
Quase nunca a vida é um balão
Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
Encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
Tudo bem, tudo bem
(Lulu Santos)
"Nunca se explique.
Seus amigos não precisam, e seus inimigos não vão acreditar."
(Anônimo)
Nesta noite de sábado, pudemos presenciar o eclipse da Lua provocado pelo estratégico alinhamento do satélite com a sombra do nossa planeta. Hoje pela manhã, encontrei esta bela foto. Teorias astrológicas à parte, me lembrei da música de Caetano, o que faz deste post uma ótima pedida para contemplação e reflexão. Bom domingo!

Eclipse Oculto
Nosso amor não deu certo
Gargalhadas e lágrimas
De perto fomos quase nada
Tipo de amor que não pode dar certo na luz da manhã
E desperdiçamos os blues do Djavan
Demasiadas palavras
Fraco impulso de vida
Travada a mente na ideologia
E o corpo não agia
Como se o coração tivesse antes que optar
Entre o inseto e o inseticida
Não me queixo
Eu não soube te amar
Mas não deixo
De querer conquistar
Uma coisa qualquer em você
(e a)
O que será?
Como nunca se mostra
O outro lado da lua
Eu desejo viajar
Pro outro lado da sua
Meu coração galinha de leão
Não quer mais amarrar frustação
O eclipse oculto na luz do verão
Mas bem que nós fomos muito felizes
Só durante o prelúdio
Gargalhadas e lágrimas
Até irmos pro estúdio
Mas na hora da cama nada pintou direito
É minha cara falar
Não sou proveito
Sou pura fama
Refrão
Nada tem que dar certo
Nosso amor é bonito
Só não disse ao que veio
Atrasado e aflito
E paramos no meio
Sem saber os desejos
Aonde é que iam dar
E aquele projeto
Ainda estará no ar?
Não quero que você
Fique fera comigo
Quero ser seu amor
Quero ser seu amigo
Quero que tudo saia
Como o som de Tim Maia
Sem grilos de mim
Sem desespero, sem tédio, sem fim
Refrão
(Caetano Veloso)