| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | |||
| 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 |
| 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 |
| 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 |
| 26 | 27 | 28 | 29 | 30 | 31 |
O artigo de hoje, foi publicado na coluna Mais (Jornal Agora), no dia 17 de março. E sem dúvida nenhuma é uma ótima dica de DVD. Caso você prefira, a obra também tem uma versão literária homônima que deu origem ao filme. Sozinha ou acompanhada, você já tem programa para este final de semana caso fique em casa. Aprecie!

O belo romance de hoje, pode dispensar demais companhias para ser assistido sem que isso prejudique a doce atmosfera proposta pelo roteiro. Mas faça um favor a si mesmo: assista-o em momentos de recomeço. Sob o Sol da Toscana (2003) é o filme ideal para esses instantes em que a vida nos pede sem nenhuma cerimônia para arregaçar as mangas e tomar as rédeas de nossa própria história.
Baseado em fatos reais, a obra cinematográfica é uma adaptação do livro de memórias da americana Frances Mayes, que após o final de seu primeiro casamento resolve realizar o antigo sonho de mudar-se para a região da Toscana. E é na belíssima região italiana que a escritora tenta juntar seus cacos. Até aqui já existiriam ingredientes suficientes para a agridoce mistura que é esse “divertido drama” romântico – se é que podemos chamá-lo assim. Mas lembre-se que estamos falando de mulheres ressentidas e do intenso país dos bons queijos e vinhos. Portanto, há mais!
Quando chega ao seu novo destino, Mayes (Diane Lane) descobre que há muito além do que ela supunha para ser reconstruído. A propriedade comprada por ela está tão abandonada e caindo aos pedaços quanto seu próprio espírito. Começa então uma custosa empreitada onde, além de derrubar paredes velhas, a estrangeira deverá também abrir as janelas da própria alma. Tijolos ruídos e janelas emperradas. Tão difícil uma tarefa quanto à outra.
Aos poucos, Frances se habitua à nova rotina de canos e latas de tintas espalhadas pelo chão e acaba deixando à mostra também as pequenas frestas íntimas que tanto tentamos esconder dos outros e de nós mesmos. Uma vez superada a dificuldade inicial de se aceitar vulnerável, Mayes começa a interagir de forma rica com os outros habitantes da região. À medida que os laços são estreitados, a escritora consegue reconstruir sua casa e sua própria vida.
A personagem central é dor e alegria. Emotividade e força. Some a isso, a região italiana da Toscana. Um dos lugares mais calorosos da Europa, onde as extensas parreiras verdes dividem a cena com os típicos pátios de cor adamascada. A culinária com seus mil sabores regados a azeites e vinhos especiais. A arte de Da Vinci e Michelangelo saindo de Florença – a capital Toscana, para o mundo.
Sob o Sol da Toscana é um prato cheio, me arrisco a dizer “cheio” à moda italiana – transbordante e convidativo – para superar os doloridos tombos que às vezes sofremos. Bom apetite!
Ficha Técnica: Sob o Sol da Toscana (2003); Audrey Wells (EUA).
Gênero: Drama
Outras obras de Audrey Wells: George – O Rei da Floresta (1997), Duas Vidas (2000), Dança Comigo (2004), Daddy’s Little Girl (2007); entre outros roteiros.
Mais Sob o Sol da Toscana: Frances Mayes, além de escritora é também professora, poeta e gastrônoma reconhecida nos Estados Unidos. A obra literária que deu origem ao filme foi best seller nos Estados Unidos. No cinema, recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz pela atuação de Diane Lane.
Estou escrevendo o próximo artigo para a coluna Mais. Pela primeira vez, vou falar sobre um livro espírita, o best seller Violetas na Janela. E de repente me dei conta de que faz muito tempo que eu não leio um romance desse tipo...
Prometo ainda essa semana encontrar algo do gênero para ler. E pra quem quiser saber mais sobre a obra citada, é só esperar até sexta-feira da semana que vem.
Até mais!

Posso falar sobre Quando Nietzsche Chorou (2000) como um dos meus livros favoritos. Poderia indicá-lo como um dos mais vendidos atualmente. E também poderia dizer que o livro conta a história da Psicanálise entrelaçando de forma magistral o romance e a ficção. Tudo seria verdade. Porém, as páginas desta obra vão muito além do que a capa sugere e do que as boas críticas nos contam.
Esqueça os tediosos tratados e teses sobre psicanálise e assuntos do gênero. A obra inaugural do psicoterapeuta e professor de psiquiatria da Universidade de Stanford (EUA), Irvin D. Yalom está sendo enquadrada dentro de um recém criado gênero literário: o “romance de idéias”. Note-se aí o elemento responsável por transformar a história num interessante convite ao raciocínio e ao devaneio.
Quando Nietzche Chorou, é a história do fictício encontro entre os personagens reais de Friedrich Nietzsche, Josef Breuer, Sigmund Freud e Lou-Salomé. Para que se entenda o peso de tal encontro – caso ele tivesse acontecido de fato, é preciso que se conheça um pouco de cada uma dessas figuras verdadeiras.
Josef Breuer (1842 – 1925), médico e fisiologista austríaco, um dos responsáveis pela criação da Psicanálise. Descobriu em 1880 que sintomas neuróticos resultam de processos inconscientes e desaparecem quando esses processos se tornam conscientes. Chamou a esse processo Catarse.
Breuer foi um dos tutores de Freud. No ano de 1895 lançaram em parceria o livro que marcou o início da teoria psicanalítica, Studien über Hysterie (Estudos Sobre a Histeria). Esse livro é geralmente considerado o marco inicial da psicanálise.
Sigmund Freud (1856 – 1939), nascido na atual República Tcheca, foi médico neurologista e o grande pai da Psicanálise. Interessou-se inicialmente pela histeria tendo como método a hipnose. Mais tarde, com interesses pelo inconsciente, abandonou a hipnose em favor da associação livre. Estes elementos tornaram-se bases da Psicanálise.
Freud, assim como Darwin e Copérnico, tem o título de ter realizado uma revolução no âmbito humano: é dele a idéia de que somos movidos pelo inconsciente. Simultaneamente, desenvolveu uma teoria da mente e da conduta humana, e uma técnica terapêutica para ajudar pessoas afetadas psiquicamente.
Lou-Salomé (1861 – 1937), foi uma bela intelectual russa que escandalizou a sociedade e quebrou regras morais. Teve vários amantes. A produção literária de Lou esteve sempre muito ligada aos seus envolvimentos amorosos. Conheceu Freud, Jung, Nietzsche, Henri Bergson, Sartre, Paul Rée, entre outros grandes homens.
Friedrich Nietzche (1844 – 1900), foi um dos maiores pensadores alemães de todos os tempos. Seu pensamento recebeu a influência dos gregos antigos, em especial Heráclito e Empédocles. Juntamente com Marx e Freud é um dos autores mais controversos da filosofia moderna.
Autor de máximas como: "As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”, "Aquilo que não me destrói fortalece-me", "Em qualquer lugar onde encontro uma criatura viva, encontro desejo de poder” e "Quanto mais me elevo, menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar”. Sua obra é extensa e mostra sua natureza inquieta e questionadora. Seu legado é ainda hoje, classificado como contraditório e de difícil compreensão.
Na obra de Yalom, Lou-Salomé é a ponte que une Nietzsche e o Dr. Breuer. Do encontro entre o desesperado filósofo e o descontente doutor, nasce um dos diálogos mais ricos já apresentados em romances do gênero. A convivência íntima entre os personagens gera uma inversão de papéis. Nietzsche e Breuer se alternam conscientemente nos papéis de médico e paciente.
Os males de Nietzche são sintomas crônicos como: enxaquecas alucinantes, náuseas, episódios de perda de consciência; mas o filósofo curiosamente rejeita toda e qualquer ajuda sob o risco de parecer subjugado pelo poder alheio. O mal de Breuer lhe tira o sono, lhe aperta o peito e o leva constantemente a pensar em suicídio, mas a convicção do médico é que seu verdadeiro mal são os outros, e não ele próprio.
Freud surge discretamente nesse cenário como a peça fundamental para arrematar a jogada no tabuleiro mental de teorias e questões totalmente louváveis. Se por um lado Yalom tem a destreza de um professor para expor os diversos pontos de uma mesma questão, por outro tem a sensibilidade de um romancista para tornar a história interessante o bastante.
Quando Nietzche Chorou nos mostra que discutir temas complexos deixou de ser maçante. Mas prepare-se. O encontro entre Nietzche, Breuer e Freud nos coloca dentro da arena, frente a frente com nossos próprios leões. E nesse caso, a metáfora é mesmo conveniente, já que é preciso coragem para refletir sobre a própria vida dentro dos parâmetros propostos pelo livro.
Ficha Técnica: Quando Nietzche Chorou (2000); Irvin D. Yalom – Ediouro.
Outras obras: A Cura de Schopenhauer (2005), Mentiras no Divã (2006) entre outros.
Mais Irvin D. Yalom: Tornou-se conhecido quando sua obra Love's Executioner and Others Tales of Psychotherapy (1989), alcançou a lista de livros mais vendidos nos Estados Unidos. Na mesma linha, seguiu-se Momma and the Meaning of Life (1999). Seu primeiro romance foi Quando Nietzsche Chorou (2000).
(artigo publicado na coluna Mais, Jornal Agora, em 10 de março de 2007)
Esta sexta-feira começa com o artigo da coluna Mais publicado na edição do dia 03 de março, sábado passado, no Jornal Agora. Aproveitem a ótima dica de vídeo para o final de semana. E prepare-se para cenas fortes. Segue o artigo.

Se eu tivesse que resumir tudo o que ainda vou dizer sobre A Vida de David Gale (2003) em uma única palavra, seria “polêmica”. Do tema principal – que é a pena de morte, aos elementos que sustentam a história, passando pelas críticas recebidas. A obra dirigida por Alan Parker conta a história de um professor da Universidade do Texas vivido por Kevin Spacey. Note aí o primeiro bom elemento: o estado do Texas é o que mais condena por pena de morte nos Estados Unidos.
Além de lecionar filosofia, Gale é um forte ativista contra a pena de morte. Condena a lei do “olho por olho-dente por dente” e coloca em xeque questões paralelas, como a eficiência dos tribunais em aplicar a modalidade. Ficção à parte, já houve casos comprovados de absolvição após quase dezoito anos no corredor da morte. No próprio Texas, sete réus foram inocentados entre os anos de 1987 e 1993.
As estatísticas e os conflitos ideológicos reais são as bases da história que se torna extremamente irônica. Constance Harraway (Laura Linney), uma colega de trabalho de Gale, é estuprada e assassinada. A partir daí, o professor passa de ativista pró-vida a condenado no corredor da cadeira elétrica. Ajudado pela jornalista Elisabeth Bloom (Kate Winslet), Gale tem uma semana para provar sua inocência antes que seja executado.
É nesse ponto, que o telespectador encontra o segundo elemento polêmico do filme. A postura investigativa de Elisabeth desvenda o lado mais chocante da trama. E a partir deste ponto, limito-me a dizer apenas que você esteja preparado para sádicas e surpreendentes revelações. O que automaticamente nos leva ao terceiro elemento polêmico do filme.
O diretor Alan Parker sofre da síndrome dos gênios incompreendidos. Foi assim com Coração Satânico (1987) e Evita (1996). Por várias vezes Parker foi rotulado como “as mãos pesadas” de obras unidimensionais. Um diretor sem a sensibilidade necessária para ser imparcial que acaba limitando os propósitos de seus filmes.
A Vida de David Gale sofreu do mesmo mal ao mostrar apenas o lado contrário à pena de morte. Não houve questionamentos em torno do tema. E quanto aos carrascos cruéis de velhos e crianças? Estupradores e assassinos em série? Réus confessos de atitudes bárbaras? Parker não mostrou o outro lado da moeda. Ao invés disso, apresentou respostas prontas e parciais.
Não estou defendendo a pena de morte, bem longe disso. Mas defendo os críticos que levantaram as deficiências de Parker. E se metade da crítica condenou sua parcialidade e seu sadismo de “mau gosto” (quem assistir verá o porquê), a outra metade o aclamou pela comoção que o mesmo sadismo causou em torno da luta contra a pena de morte. Particularmente, deixaria o filme exatamente como está. Fico com a segunda metade dos críticos. Quem se importa que A Vida de David Gale não tenha se quer uma premiação no currículo?
Há séculos, Victor Hugo sabiamente escreveu “pode-se sentir uma certa indiferença em relação à pena de morte enquanto não se vê a guilhotina. Mas, se encontramos uma, é preciso tomar partido, a favor ou contra”. A entrega de David Gale à luta contra a pena de morte, justifica tudo.
Ficha Técnica: A Vida de David Gale (2003); Alan Parker (EUA).
Gênero: Drama
Outras obras de Alan Parker: O Expresso da Meia-noite (1978), Pink Floyd - The Wall (1982), Mississipi em Chamas (1988), As Cinzas de Ângela (1999); entre outros.
Mais A Vida de David Gale: Antes da contratação de Kevin Spacey como protagonista, os atores Nicolas Cage e George Clooney foram convidados e recusaram o papel. A atriz Nicole Kidman chegou a ser sondada para interpretar o papel da jornalista que acabou ficando com Kate Winslet. As filmagens de uma cena de protesto contra a pena de morte na sede do parlamento do Texas foram interrompidas pela chegada de um grupo real de manifestantes políticos ao local.
Hoje é dia de artigo da coluna Mais. O artigo sobre O Zahir (na minha opinião o livro mais "denso" de Paulo Coelho até agora), foi publicado no dia 24 de fevereiro. Semana que vem, além de um novo artigo nesta mesma coluna, começo a postar os artigos que publico na revista Agora Review. Aguardem. Por enquanto, fiquem com o texto abaixo.

Os céticos condenam. Os autores frustrados torcem o nariz. Mas a verdade é uma só: contrariando todas as críticas, Paulo Coelho se tornou um dos escritores de maior sucesso mundial. Com trabalhos traduzidos para mais de sessenta e dois idiomas e editados em mais de cento e cinqüenta países. Portanto, antes de continuar esta leitura, é necessário deixar qualquer preconceito de lado. Paulo Coelho não é Machado de Assis. Partindo desse princípio, torna-se mais fácil entender – e aceitar – as obras do autor.
Como a maioria de seus livros, O Zahir (2005), fala das buscas pessoais de cada um de nós, e do drama particular de um escritor que é abandonado por sua esposa, uma jornalista correspondente de guerra. No início, o fim de seu casamento de trinta anos sem nenhum fruto, o coloca na cômoda posição de homem livre. Entretanto, o passar dos dias e a total falta de notícias de Esther – sua antiga esposa, o torna obsessivo. Sua ausência o enlouquece.
O personagem então inicia um processo de análise das próprias atitudes como parceiro emocional e uma rica jornada de auto-conhecimento. E acaba constatando que a única saída para seu desespero é se atirar na busca por sua ex-mulher. O termo zahir vem da tradição islâmica. Em árabe quer dizer “presente, incapaz de passar despercebido, algo ou alguém que toma o pensamento por completo”.
Se o amor cega, a história de O Zahir é um dos bons exemplos disso. Por toda loucura e por toda santidade. É justamente a idéia fixa que leva nosso personagem a uma viagem insólita pelas estepes do Cazaquistão. Não interessa o perdão ou a indiferença, o personagem só enxerga uma coisa diante de si: Esther.
Como sempre, Paulo nos mostra que a viagem é mais importante que o destino final. O personagem acaba por realizar uma preciosa troca de experiências com outros viajantes. Passa a compreender o caminho e a respeitar a si e ao seu semelhante. Se você já leu qualquer outra obra do autor sabe que qualquer semelhança não é mera coincidência. Mas sabe também que as inquietações humanas são parecidas, porém os dramas pessoais muito distintos.
Embora seja uma obra de ficção, O Zahir é altamente biográfico, tamanha a quantidade de paralelos com a vida do autor. Assim como Paulo, o personagem também tem sua obra reconhecida mundialmente e açoitada pela crítica. O livro é dedicado à Cristina, sua mulher. Para escreve-lo, o autor passou uma temporada no Cazaquistão, chegando a participar de uma caça à raposa.
O livro foi lançado primeiro no Irã para ser registrado como obra local do país. Assim, todos aqueles que fizerem cópias ilegais em língua persa de O Zahir, podem ser processados. A obra teve o maior lançamento simultâneo em várias línguas de uma obra em língua portuguesa, quarenta e quatro no total.
Ficha Técnica: O Zahir (2005); Paulo Coelho – Editora Rocco.
Outras obras: O Diário de um Mago (1987), O Alquimista (1988), Brida (1990), As Valkírias (1992), Maktub (1994), Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei (1994), O Monte Cinco (1996), Veronika decide morrer (1998), O Demônio e a Srta. Prym (2000), Onze Minutos (2003); entre outras.
Mais Paulo Coelho: Escreveu letras de música para nomes como Elis Regina e Rita Lee. Porém, seu trabalho mais conhecido foi com Raul Seixas, parceria que resultou em mais de cinqüenta composições. Ele mesmo editou seu primeiro livro: Arquivos do Inferno (1982) que não teve qualquer repercussão. Participou do livro O Manual Prático do Vampirismo (1985), que mais tarde mandou recolher, por considerar, segundo suas próprias palavras, ''de má qualidade''. Atualmente é membro da Academia Brasileira de Letras, além de Conselheiro Especial da UNESCO para "Diálogos Interculturais e Convergências Espirituais”.