SaltoAgulha!

Olho no olho, riso solto, coração valente, espírito livre, mente fértil. Música, letra e dança. Vinho, viagem e beijo na boca. Cabeça nas nuvens, pés no chão. Passos firmes, salto agulha.

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<  Maio 2008  >
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Terra Blog

Categoria: M a i s

23.03.07

Sob o Sol da Toscana

categorias: M a i s

O artigo de hoje, foi publicado na coluna Mais (Jornal Agora), no dia 17 de março. E sem dúvida nenhuma é uma ótima dica de DVD. Caso você prefira, a obra também tem uma versão literária homônima que deu origem ao filme. Sozinha ou acompanhada, você já tem programa para este final de semana caso fique em casa. Aprecie!

O belo romance de hoje, pode dispensar demais companhias para ser assistido sem que isso prejudique a doce atmosfera proposta pelo roteiro. Mas faça um favor a si mesmo: assista-o em momentos de recomeço. Sob o Sol da Toscana (2003) é o filme ideal para esses instantes em que a vida nos pede sem nenhuma cerimônia para arregaçar as mangas e tomar as rédeas de nossa própria história.

Baseado em fatos reais, a obra cinematográfica é uma adaptação do livro de memórias da americana Frances Mayes, que após o final de seu primeiro casamento resolve realizar o antigo sonho de mudar-se para a região da Toscana. E é na belíssima região italiana que a escritora tenta juntar seus cacos. Até aqui já existiriam ingredientes suficientes para a agridoce mistura que é esse “divertido drama” romântico – se é que podemos chamá-lo assim. Mas lembre-se que estamos falando de mulheres ressentidas e do intenso país dos bons queijos e vinhos. Portanto, há mais!

Quando chega ao seu novo destino, Mayes (Diane Lane) descobre que há muito além do que ela supunha para ser reconstruído. A propriedade comprada por ela está tão abandonada e caindo aos pedaços quanto seu próprio espírito. Começa então uma custosa empreitada onde, além de derrubar paredes velhas, a estrangeira deverá também abrir as janelas da própria alma. Tijolos ruídos e janelas emperradas. Tão difícil uma tarefa quanto à outra.

Aos poucos, Frances se habitua à nova rotina de canos e latas de tintas espalhadas pelo chão e acaba deixando à mostra também as pequenas frestas íntimas que tanto tentamos esconder dos outros e de nós mesmos. Uma vez superada a dificuldade inicial de se aceitar vulnerável, Mayes começa a interagir de forma rica com os outros habitantes da região. À medida que os laços são estreitados, a escritora consegue reconstruir sua casa e sua própria vida.

A personagem central é dor e alegria. Emotividade e força. Some a isso, a região italiana da Toscana. Um dos lugares mais calorosos da Europa, onde as extensas parreiras verdes dividem a cena com os típicos pátios de cor adamascada. A culinária com seus mil sabores regados a azeites e vinhos especiais. A arte de Da Vinci e Michelangelo saindo de Florença – a capital Toscana, para o mundo.

Sob o Sol da Toscana é um prato cheio, me arrisco a dizer “cheio” à moda italiana – transbordante e convidativo – para superar os doloridos tombos que às vezes sofremos. Bom apetite!


Ficha Técnica: Sob o Sol da Toscana (2003); Audrey Wells (EUA).
Gênero: Drama
Outras obras de Audrey Wells: George – O Rei da Floresta (1997), Duas Vidas (2000), Dança Comigo (2004), Daddy’s Little Girl (2007); entre outros roteiros.
Mais Sob o Sol da Toscana: Frances Mayes, além de escritora é também professora, poeta e gastrônoma reconhecida nos Estados Unidos. A obra literária que deu origem ao filme foi best seller nos Estados Unidos. No cinema, recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz pela atuação de Diane Lane.

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  • Postado em 10:03:20

21.03.07

Violetas

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Estou escrevendo o próximo artigo para  a coluna Mais. Pela primeira vez, vou falar sobre um livro espírita, o best seller Violetas na Janela. E de repente me dei conta de que faz muito tempo que eu não leio um romance desse tipo...

Prometo ainda essa semana encontrar algo do gênero para ler. E pra quem quiser saber mais sobre a obra citada, é só esperar até sexta-feira da semana que vem.

Até mais!

 

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  • Postado em 11:18:45

16.03.07

Quando Nietzsche Chorou

categorias: M a i s

 



Posso falar sobre Quando Nietzsche Chorou (2000) como um dos meus livros favoritos. Poderia indicá-lo como um dos mais vendidos atualmente. E também poderia dizer que o livro conta a história da Psicanálise entrelaçando de forma magistral o romance e a ficção. Tudo seria verdade. Porém, as páginas desta obra vão muito além do que a capa sugere e do que as boas críticas nos contam.



Esqueça os tediosos tratados e teses sobre psicanálise e assuntos do gênero. A obra inaugural do psicoterapeuta e professor de psiquiatria da Universidade de Stanford (EUA), Irvin D. Yalom está sendo enquadrada dentro de um recém criado gênero literário: o “romance de idéias”. Note-se aí o elemento responsável por transformar a história num interessante convite ao raciocínio e ao devaneio.

Quando Nietzche Chorou, é a história do fictício encontro entre os personagens reais de Friedrich Nietzsche, Josef Breuer, Sigmund Freud e Lou-Salomé. Para que se entenda o peso de tal encontro – caso ele tivesse acontecido de fato, é preciso que se conheça um pouco de cada uma dessas figuras verdadeiras.

Josef Breuer (1842 – 1925), médico e fisiologista austríaco, um dos responsáveis pela criação da Psicanálise. Descobriu em 1880 que sintomas neuróticos resultam de processos inconscientes e desaparecem quando esses processos se tornam conscientes. Chamou a esse processo Catarse.

Breuer foi um dos tutores de Freud. No ano de 1895 lançaram em parceria o livro que marcou o início da teoria psicanalítica, Studien über Hysterie (Estudos Sobre a Histeria). Esse livro é geralmente considerado o marco inicial da psicanálise.

Sigmund Freud (1856 – 1939), nascido na atual República Tcheca, foi médico neurologista e o grande pai da Psicanálise. Interessou-se inicialmente pela histeria tendo como método a hipnose. Mais tarde, com interesses pelo inconsciente, abandonou a hipnose em favor da associação livre. Estes elementos tornaram-se bases da Psicanálise.

Freud, assim como Darwin e Copérnico, tem o título de ter realizado uma revolução no âmbito humano: é dele a idéia de que somos movidos pelo inconsciente. Simultaneamente, desenvolveu uma teoria da mente e da conduta humana, e uma técnica terapêutica para ajudar pessoas afetadas psiquicamente.

Lou-Salomé (1861 – 1937), foi uma bela intelectual russa que escandalizou a sociedade e quebrou regras morais. Teve vários amantes. A produção literária de Lou esteve sempre muito ligada aos seus envolvimentos amorosos. Conheceu Freud, Jung, Nietzsche, Henri Bergson, Sartre, Paul Rée, entre outros grandes homens.

Friedrich Nietzche (1844 – 1900), foi um dos maiores pensadores alemães de todos os tempos. Seu pensamento recebeu a influência dos gregos antigos, em especial Heráclito e Empédocles. Juntamente com Marx e Freud é um dos autores mais controversos da filosofia moderna.

Autor de máximas como: "As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”, "Aquilo que não me destrói fortalece-me", "Em qualquer lugar onde encontro uma criatura viva, encontro desejo de poder” e "Quanto mais me elevo, menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar”. Sua obra é extensa e mostra sua natureza inquieta e questionadora. Seu legado é ainda hoje, classificado como contraditório e de difícil compreensão.

Na obra de Yalom, Lou-Salomé é a ponte que une Nietzsche e o Dr. Breuer. Do encontro entre o desesperado filósofo e o descontente doutor, nasce um dos diálogos mais ricos já apresentados em romances do gênero. A convivência íntima entre os personagens gera uma inversão de papéis. Nietzsche e Breuer se alternam conscientemente nos papéis de médico e paciente.

Os males de Nietzche são sintomas crônicos como: enxaquecas alucinantes, náuseas, episódios de perda de consciência; mas o filósofo curiosamente rejeita toda e qualquer ajuda sob o risco de parecer subjugado pelo poder alheio. O mal de Breuer lhe tira o sono, lhe aperta o peito e o leva constantemente a pensar em suicídio, mas a convicção do médico é que seu verdadeiro mal são os outros, e não ele próprio.

Freud surge discretamente nesse cenário como a peça fundamental para arrematar a jogada no tabuleiro mental de teorias e questões totalmente louváveis. Se por um lado Yalom tem a destreza de um professor para expor os diversos pontos de uma mesma questão, por outro tem a sensibilidade de um romancista para tornar a história interessante o bastante.

Quando Nietzche Chorou nos mostra que discutir temas complexos deixou de ser maçante. Mas prepare-se. O encontro entre Nietzche, Breuer e Freud nos coloca dentro da arena, frente a frente com nossos próprios leões. E nesse caso, a metáfora é mesmo conveniente, já que é preciso coragem para refletir sobre a própria vida dentro dos parâmetros propostos pelo livro.


Ficha Técnica: Quando Nietzche Chorou (2000); Irvin D. Yalom – Ediouro.
Outras obras: A Cura de Schopenhauer (2005), Mentiras no Divã (2006) entre outros.
Mais Irvin D. Yalom: Tornou-se conhecido quando sua obra Love's Executioner and Others Tales of Psychotherapy (1989), alcançou a lista de livros mais vendidos nos Estados Unidos. Na mesma linha, seguiu-se Momma and the Meaning of Life (1999). Seu primeiro romance foi Quando Nietzsche Chorou (2000).

 

(artigo publicado na coluna Mais, Jornal Agora, em 10 de março de 2007)

  • criado por  K criado por K
  • Postado em 12:16:26

09.03.07

Olho por Olho

categorias: M a i s

 

Esta sexta-feira começa com o artigo da coluna Mais publicado na edição do dia 03 de março, sábado passado, no Jornal Agora. Aproveitem a ótima dica de vídeo para o final de semana. E prepare-se para cenas fortes. Segue o artigo.

 


Se eu tivesse que resumir tudo o que ainda vou dizer sobre A Vida de David Gale (2003) em uma única palavra, seria “polêmica”. Do tema principal – que é a pena de morte, aos elementos que sustentam a história, passando pelas críticas recebidas. A obra dirigida por Alan Parker conta a história de um professor da Universidade do Texas vivido por Kevin Spacey. Note aí o primeiro bom elemento: o estado do Texas é o que mais condena por pena de morte nos Estados Unidos.

Além de lecionar filosofia, Gale é um forte ativista contra a pena de morte. Condena a lei do “olho por olho-dente por dente” e coloca em xeque questões paralelas, como a eficiência dos tribunais em aplicar a modalidade. Ficção à parte, já houve casos comprovados de absolvição após quase dezoito anos no corredor da morte. No próprio Texas, sete réus foram inocentados entre os anos de 1987 e 1993.

As estatísticas e os conflitos ideológicos reais são as bases da história que se torna extremamente irônica. Constance Harraway (Laura Linney), uma colega de trabalho de Gale, é estuprada e assassinada. A partir daí, o professor passa de ativista pró-vida a condenado no corredor da cadeira elétrica. Ajudado pela jornalista Elisabeth Bloom (Kate Winslet), Gale tem uma semana para provar sua inocência antes que seja executado.

É nesse ponto, que o telespectador encontra o segundo elemento polêmico do filme. A postura investigativa de Elisabeth desvenda o lado mais chocante da trama. E a partir deste ponto, limito-me a dizer apenas que você esteja preparado para sádicas e surpreendentes revelações. O que automaticamente nos leva ao terceiro elemento polêmico do filme.

O diretor Alan Parker sofre da síndrome dos gênios incompreendidos. Foi assim com Coração Satânico (1987) e Evita (1996). Por várias vezes Parker foi rotulado como “as mãos pesadas” de obras unidimensionais. Um diretor sem a sensibilidade necessária para ser imparcial que acaba limitando os propósitos de seus filmes.

A Vida de David Gale sofreu do mesmo mal ao mostrar apenas o lado contrário à pena de morte. Não houve questionamentos em torno do tema. E quanto aos carrascos cruéis de velhos e crianças? Estupradores e assassinos em série? Réus confessos de atitudes bárbaras? Parker não mostrou o outro lado da moeda. Ao invés disso, apresentou respostas prontas e parciais.

Não estou defendendo a pena de morte, bem longe disso. Mas defendo os críticos que levantaram as deficiências de Parker. E se metade da crítica condenou sua parcialidade e seu sadismo de “mau gosto” (quem assistir verá o porquê), a outra metade o aclamou pela comoção que o mesmo sadismo causou em torno da luta contra a pena de morte. Particularmente, deixaria o filme exatamente como está. Fico com a segunda metade dos críticos. Quem se importa que A Vida de David Gale não tenha se quer uma premiação no currículo?

Há séculos, Victor Hugo sabiamente escreveu “pode-se sentir uma certa indiferença em relação à pena de morte enquanto não se vê a guilhotina. Mas, se encontramos uma, é preciso tomar partido, a favor ou contra”. A entrega de David Gale à luta contra a pena de morte, justifica tudo.



Ficha Técnica: A Vida de David Gale (2003); Alan Parker (EUA).
Gênero: Drama
Outras obras de Alan Parker: O Expresso da Meia-noite (1978), Pink Floyd - The Wall (1982), Mississipi em Chamas (1988), As Cinzas de Ângela (1999); entre outros.
Mais A Vida de David Gale: Antes da contratação de Kevin Spacey como protagonista, os atores Nicolas Cage e George Clooney foram convidados e recusaram o papel. A atriz Nicole Kidman chegou a ser sondada para interpretar o papel da jornalista que acabou ficando com Kate Winslet. As filmagens de uma cena de protesto contra a pena de morte na sede do parlamento do Texas foram interrompidas pela chegada de um grupo real de manifestantes políticos ao local.

  • criado por  K criado por K
  • Postado em 08:52:55

02.03.07

O Zahir

categorias: M a i s

Hoje é dia de artigo da coluna Mais. O artigo sobre O Zahir (na minha opinião o livro mais "denso" de Paulo Coelho até agora), foi publicado no dia 24 de fevereiro. Semana que vem, além de um novo artigo nesta mesma coluna, começo a postar os artigos que publico na revista Agora Review. Aguardem. Por enquanto, fiquem com o texto abaixo.

 

 

Os céticos condenam. Os autores frustrados torcem o nariz. Mas a verdade é uma só: contrariando todas as críticas, Paulo Coelho se tornou um dos escritores de maior sucesso mundial. Com trabalhos traduzidos para mais de sessenta e dois idiomas e editados em mais de cento e cinqüenta países. Portanto, antes de continuar esta leitura, é necessário deixar qualquer preconceito de lado. Paulo Coelho não é Machado de Assis. Partindo desse princípio, torna-se mais fácil entender – e aceitar – as obras do autor.

 

Como a maioria de seus livros, O Zahir (2005), fala das buscas pessoais de cada um de nós, e do drama particular de um escritor que é abandonado por sua esposa, uma jornalista correspondente de guerra. No início, o fim de seu casamento de trinta anos sem nenhum fruto, o coloca na cômoda posição de homem livre. Entretanto, o passar dos dias e a total falta de notícias de Esther – sua antiga esposa, o torna obsessivo. Sua ausência o enlouquece.

 

O personagem então inicia um processo de análise das próprias atitudes como parceiro emocional e uma rica jornada de auto-conhecimento. E acaba constatando que a única saída para seu desespero é se atirar na busca por sua ex-mulher. O termo zahir vem da tradição islâmica. Em árabe quer dizer “presente, incapaz de passar despercebido, algo ou alguém que toma o pensamento por completo”.

 

Se o amor cega, a história de O Zahir é um dos bons exemplos disso. Por toda loucura e por toda santidade. É justamente a idéia fixa que leva nosso personagem a uma viagem insólita pelas estepes do Cazaquistão. Não interessa o perdão ou a indiferença, o personagem só enxerga uma coisa diante de si: Esther.

 

Como sempre, Paulo nos mostra que a viagem é mais importante que o destino final. O personagem acaba por realizar uma preciosa troca de experiências com outros viajantes. Passa a compreender o caminho e a respeitar a si e ao seu semelhante. Se você já leu qualquer outra obra do autor sabe que qualquer semelhança não é mera coincidência. Mas sabe também que as inquietações humanas são parecidas, porém os dramas pessoais muito distintos.

 

Embora seja uma obra de ficção, O Zahir é altamente biográfico, tamanha a quantidade de paralelos com a vida do autor. Assim como Paulo, o personagem também tem sua obra reconhecida mundialmente e açoitada pela crítica. O livro é dedicado à Cristina, sua mulher. Para escreve-lo, o autor passou uma temporada no Cazaquistão, chegando a participar de uma caça à raposa.

 

O livro foi lançado primeiro no Irã para ser registrado como obra local do país. Assim, todos aqueles que fizerem cópias ilegais em língua persa de O Zahir, podem ser processados. A obra teve o maior lançamento simultâneo em várias línguas de uma obra em língua portuguesa, quarenta e quatro no total.

 

 

Ficha Técnica: O Zahir (2005); Paulo Coelho – Editora Rocco.
Outras obras: O Diário de um Mago (1987), O Alquimista (1988), Brida (1990), As Valkírias (1992), Maktub (1994), Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei (1994), O Monte Cinco (1996), Veronika decide morrer (1998), O Demônio e a Srta. Prym (2000), Onze Minutos (2003); entre outras.
Mais Paulo Coelho: Escreveu letras de música para nomes como Elis Regina e Rita Lee. Porém, seu trabalho mais conhecido foi com Raul Seixas, parceria que resultou em mais de cinqüenta composições. Ele mesmo editou seu primeiro livro: Arquivos do Inferno (1982) que não teve qualquer repercussão. Participou do livro O Manual Prático do Vampirismo (1985), que mais tarde mandou recolher, por considerar, segundo suas próprias palavras, ''de má qualidade''. Atualmente é membro da Academia Brasileira de Letras, além de Conselheiro Especial da UNESCO para "Diálogos Interculturais e Convergências Espirituais”.

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