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Como eu havia prometido em posts anteriores, volto ao assunto pra contar o desfecho da minha tentativa - agora bem sucedida - de me tornar uma doadora de medula óssea.
Onde estou morando não existe um posto de cadastramento de doadores (não me pergunte o porquê); então na vez mais recente em que estive na minha cidade, procurei o hemocentro habilitado para realização dos exames necessários.
Primeiro, efetuei um cadastro de dados básicos: nome, endereço, filiação, telefones, etc. Então, um funcionário do hemocentro me explicou novamente todas as etapas do processo - do exame de sangue à doação em sí.
Depois lí e assinei um termo de responsabilidade onde autorizava a inclusão do meu nome no REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) - me predispondo à doação.
É sempre bom frisar, que mesmo tendo assinado o termo, caso haja algum caso de compatibilidade, o doador novamente é consultado quanto o seu interesse em efetuar a doação. Ou seja, em nenhum momento você é forçado a nada. Mas sempre vale o bom senso de honrar com o compromisso assumido - salvo exceções.
Em seguida, uma enfermeira retirou 10ml do meu sangue pro exame de tipagem necesário. E pronto! Só isso. Eu tenho um número de registro e meu nome no cadastro. Todas as vezes que alguém precisa, os registros são confrontados em busca da compatibilidade.
Agora pensem bem: se entre os membros de uma mesma família a chance de compatibilidade já é mínima, imagine entre duas pessoas estranhas. Considerando isso, caso um doador encontre alguém compatível entre milhões, já não estava escrito esse encontro? Não pode ser acaso!
Pra refrescar a memória de vocês, abaixo os links dos posts relacionados ao assunto:
http://saltoagulha.blog.terra.com.br/falando_serio
http://saltoagulha.blog.terra.com.br/?m=200604&sentence=OR&page=2
Dispensando maiores explicações:
"Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
Até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr"
(Titãs)
De volta, com mais um papo profundo - mas continuando sem entender lhufas da vida!
Esta temporada afastada, como já havia dito, foi muito pesada. O que aconteceu foi o seguinte: perdi um tio de infarto fulminante aos 52 anos. O cara trabalhou o dia todo, chegou em casa foi brincar com os cachorros e... aconteceu. Não houve nem chance. Choro, revolta, conformismo, velório, abraços, enterro, saudade. Ironia da vida: no final do mês nasce seu primeiro neto.
Dia seguinte, perdemos uma prima por parte do meu marido. Um acidente horrível. Atropelou um cavalo - ou melhor: foi atropelada por ele. Haviam três pessoas no carro, entre elas a mãe dela. Viu a filha morrer e não pode fazer nada. Novamente choro, revolta, conformismo, velório, abraços, enterro e saudade. Ironia da vida: os pais comemorariam 50 anos de casados na semana da sua morte - numa festa organizada por ela.
Uma semana depois, perdi meu avô por parte de pai. Um italiano brincalhão, muito bom de forno e fogão. Melhor ainda de papo. Palmeirense. Tranquilo e boa gente a vida inteira. Sofreu feito o cão! Complicações da idade. Choro, revolta - pelo sofrimento, conformismo, saudade. Muita. Não fui ao velório nem ao enterro. "Não pude"!
Eu ainda continuo acreditando que Deus sabe o que faz. E faz por motivos não por caprichos. Mas é engraçado como ele esconde certas lições preciosas no meio das maiores tragédias.
No caixão do meu tio, minha tia dizia: "se eu soubesse que você ia embora tão cedo, tinha trabalhado menos e sido mais feliz com você". No leito de morte, meu avô chorava, sorria e dizia: "estou contente".
As perdas doeram do mesmo jeito. Três pessoas incríveis. Onde quer que estejam, tenham certeza de que estão muito bem. No final, o tempo apaga as tristezas. O que fica é a lembrança, e uma saudade enorme.
Mas certas lições, eu faço questão de levar comigo.
Esqueçam a brincadeira do SPA africano. A temporada afastada do meu blog foi mais pesada do que eu nunca imaginei. Perdi duas pessoas queridas de maneiras estúpidas, e provavelmente perca a terceira...
...mas acho que não vale a pena contabilizar as perdas, ao invés disso vou tentar compartilhar algumas lições - mesmo sabendo que talvez nem todos entendam. Muitas vezes é preciso sentir na pele.
Porém, entre mortos e feridos (literalmente), salvaram-se alguns acontecimentos mais otimistas. Enfim sou uma doadora oficial de medula óssea.
Mas são tantas experiências ricas em sentimentos e valores, que não quero vomitar tudo de uma só vez. Vamos por partes.
Amanhã eu começo. Juro.
O importante é que sobrevivi!